sábado, 11 de fevereiro de 2012

Morte de Crianças

Morte de crianças

Richard Simonetti

     O desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o Espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência terrestre. Somente a partir da adolescência é que entrará na plena posse de suas faculdades.
Alheio às contingências humanas ele se exime de envolvimento com vícios e paixões que tanto comprometem a experiência física e dificultam um retorno equilibrado à Vida Espiritual.
O problema maior é a teia de retenção, formada com intensidade, porquanto a morte de uma criança provoca grande comoção, até mesmo em pessoas não ligadas a ela diretamente. Símbolo da pureza e da inocência, alegria do presente e promessa para o futuro, o pequeno ser resume as esperanças dos adultos que se recusam a encarar a perspectiva de uma separação.
Em favor do desencarnante é preciso imitar atitudes como a de Amaro, personagem do livro "Entre a Terra e o Céu", do espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, diante do filho de um ano, desenganado pelo médico, a avizinhar-se da morte. Na madrugada, enquanto outros familiares dormem, ele permanece em vigília, meditando. Descreve o autor:
"A aurora começava a refletir-se no firmamento em largas riscas rubras, quando o ferroviário abandonou a meditação, aproximando-se do filhinho quase morto.
"Num gesto comovente de fé, retirou da parede velho crucifixo de madeira e colocou-o à cabeceira do agonizante. Em seguida, sentou-se no leito e acomodou o menino ao colo com especial ternura. Amparado espiritualmente por Odila*, que o enlaçava, demorou a olhar sobre a imagem do Cristo Crucificado e orou em voz em alta voz:
"Divino Jesus, compadece-te de nossas fraquezas!... Tenho meu espírito frágil para lidar com a morte! Dá-nos força e compreensão... Nossos filhos te pertencem, mas como nos dói restituí-los, quando a tua vontade no-los reclama de volta!...
"O pranto embargava-lhe a voz, mas o pai sofredor, demonstrando a sua imperiosa necessidade de oração, prosseguiu:
"- Se é de teu desígnio que o nosso filhinho parta, Senhor, recebe-o em teus braços de amor e luz! Concede-nos, porém, a mente, a nossa cruz de saudade e dor!... Dá-nos resignação, fé, esperança!... Auxilia-nos a entender-te os propósitos e que a tua vontade se cumpra hoje e sempre!...
"Jactos de safirina claridade escapavam-lhe do peito, envolvendo a criança, que, pouco a pouco, adormeceu.
"Júlio afastou-se do corpo de carne, abrigando-se nos braços de Odila, à maneira de um órfão que busca tépido ninho de carícias."
A atitude fervorosa de Amaro, sua profunda confiança em Jesus, sustenta-lhe o equilíbrio e favorece o retorno de Júlio, o filho muito amado, à pátria espiritual, conforme estava previsto.
* Amaro é casado em segundas núpcias. Odila é a primeira esposa, desencarnada.

Do livro: Quem tem medo da morte?


Crianças no Além


Sempre nos despertou grande curiosidade a sorte das crianças após a “morte”, bem como a possibilidade de intercâmbio com aqueles que tenham se despojado prematuramente de suas roupagens carnais.

Iniciando nossa explanação a res­peito do tema, citemos a questão 381, de O Livro dos Espíritos, em que Kardec assim indagava:
Por morte da criança, readquire o Espírito, imediatamente, o seu precedente vigor?
Ao que responderam os Espíritos:

“Assim tem que ser, pois que se vê desembaraçado de seu invólucro corporal. Entretanto, não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado daquele envoltório, isto é, quando mais nenhum laço exista entre ele e o corpo.”

Ocorre que esse desligamento será tanto mais rápido quanto mais elevado for o grau evolutivo do Espírito em questão. Vejamos alguns exemplos:

Na quarta obra basilar da Codifica­cão,  O Céu e O Inferno, publicada pela primeira vez em 1865, temos, pre­cisamente na segunda parte, capítulo VIII,  a oportunidade de analisar uma comunicação de alto teor filosófico, que revela a rápida emancipação do Espírito Marcel, desencarnado alguns meses antes, aproximadamente aos oito anos de idade, após atrozes sofrimentos que ele havia superado de maneira exemplar.

Anos mais tarde, já no Brasil, um triste episódio marcaria sensivelmente a vida do casal Francisco e Terezinha Cruañes.

Foi em tarde ensolarada, numa fazenda do interior de São Paulo, quando a pequena Fernanda Cruañes, de apenas quatro anos de idade, caía do trator em que se encontrava, vindo a desencarnar em 08 de agosto de 1981. Menos de doze meses após o ocorrido, exatamente em 30 de julho de 1982, Fernanda se manifestava atra­vés da mediuni­dade segura de Francisco Cân­dido Xavier, em comunicação reproduzida na obra Estamos no Além, solici­tando aos seus pais que não se entregassem tanto ao desespero, como freqüentemente vinham fazendo, posto que todas aquelas sensações de sofrimento lhe eram integral­mente transmitidas. Declarava, ainda, que sua avó Jenny, também desencarnada, conduzia-lhe as mãos durante a comunicação, pois que ela se ressentia da dificuldade de “não saber escrever”, revelando um condicionamento psíquico comu­mente observado na maioria dos espíritos precocemente desencar­nados, sem prejuízo, porém,  da consistência de sua mensagem, que acusava uma situação evolutiva satisfatória.

Também pode se dar, ainda que ra­ramente, encontrarmos  “crianças” em funções espirituais de grande relevância, conforme relatado por Rafael Ranieri em sua obra Materializações Lumi­nosas, em que ele discorre sobre di­versas reuniões de materialização de espíritos em que tomou parte, inclusive com a pre­sença de Chico Xavier.

Naquelas memoráveis sessões, o Espírito Araci, Guia Espiritual do conceituado médium Francisco Peixoto Lins (Peixotinho), tangibilizava-se sob a aparência de uma criança de aproximadamente três anos de idade. Assim também, para sua surpresa e satisfação, descobre que a dirigente espiritual daqueles trabalhos de alta importância era exatamente sua filha Heleninha, desencarnada quando contava apenas um ano e oito meses. Por vezes, ela se apresentava na forma infantil; noutras ocasiões, mostrava-se sob aparência adotada em encarnação pregressa, demonstrando grande domínio sobre seu perispirito.

Informações igualmente preciosas nos deu André Luiz, em sua obra inti­tulada Entre a Terra e o Céu, psico­grafada por Francisco Cândido Xavier.

Conta-nos ele que, em determinado momento no plano espiritual, passa a ouvir uma suave me­lodia; ao se aproximar, percebe que a música era entoada por um coro de crianças felizes e sorridentes, em meio a paisagens de rara beleza. Ele se en­contrava no Lar da Bênção — um misto de escola de preparação para a maternidade e abrigo para espíritos que haviam desencarnado na infância. Al­guns deles, naquele exato momento, recebiam a visita de suas mães, ainda encarnadas, que para lá se deslocavam por ocasião do sono físico. André Luiz, então, fascinado com o que via, questiona se haveria ali cursos primários de alfabetização; ao que a diri­gente daquele educandário responde afirmativamente, pois que se tratava de um verdadeiro estabelecimento de ensino no além, que abrigava, à época, cerca de dois mil espíritos desencarnados em tenra idade, que lá per­maneciam até reunir condições para retornar ao plano fisico, o que se dava, na maioria das vezes, antes que o Es­pírito retomasse sua compleição adulta.

Surge, então, a instigante questão do “crescimento das crianças no plano espiritual”, que estará intimamente atrelada à retomada de consciência por parte do Espírito desencarnado, o que lhe permitirá plasmar as modificações necessárias em seu corpo fluídico.

Exemplo disso encontramos novamente na obra Estamos no Além, através do relato mediúnico de Sandra Regina Camargo. desencarnada aos nove anos de idade, após ter padecido durante três anos em virtude de pertinaz leucemia. Menos de quatro anos após seu desencarne, na noite de 17 de ja­neiro de 1981, ela se comunicaria com seus entes queridos, através de Chico Xavier, declarando: “ saibam também que cresci. Isso aconteceu na medida de meu desejo de me fazer pessoa grande...”.

Assim também se deu com Upton, desencarnado com apenas três meses de vida. Em carta psicografada por Chico Xavier, e publicada na obra Reencontros,  demonstrava ter recobrado sua maturidade espiritual em poucos anos de regresso à Vida Maior.

Há, portanto, espíritos que, tendo desencarnado na infância, em retorno ao plano espiritual reassumem em curtissimo prazo a forma adulta que tinham antes de reencarnar, ou, ainda, outra apresentação perispiritual que lhes convenha, sempre de acordo com suas potencialidades anímicas.

Entretanto, o Espírito André Luiz, ainda na obra Entre a Terra e o Céu, nos afirma que essas são exceções, pois que a maioria dos seres que estagiam no planeta Terra necessitam de longo espaço de tempo e total amparo da Espiritualidade para se desvencilharern dos impositivos da forma infantil, a que se encontram mentalmente fixados. Ademais, são em grande número aqueles que, ao desencarnarem precocemente, adentram o plano espi­ritual em extremo desequilíbrio, razão pela qual são recolhidos em alas isoladas, com o fito de receberem cuidados especiais.

Certamente que a temática não se esgota neste breve estudo, todavia, desde já podemos concluir, mais uma vez, que o Espiritismo é, irrefutavelmente, o Con­solador prometido por Jesus, por nos brindar com a realidade da sobrevi­vência da alma, notadamente em relação àqueles que retornaram às esferas espirituais quando ainda ensaia­vam seus primeiros passos no mundo. 
                                                  
 
Bibiografia:

Kardec, Allan: O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76 ª edição.
Kardec, Allan: O Céu e o Inferno, Segunda Parte, cap. VIII, Editora FEB, 76ª edição.
Ranieri, Rafael R.: Materializações Luminosas, cap. IX, XIII e XXVI, Edições FEESP, 1989.
Xavier, Francisco Cândido (Espíritos di­versas); Estamos do Além-Instituto de Difusão
Espírita, cap. 2 e 10, 1986.
Xavier, Francisco Cândido (Espíritos diversos): Reencontros-Instituto de Di­fusão Espírita, cap. 10,1987.
Xavier, Francisco Cândido (André Luiz): Evolução em Dois Mundos, Segunda Parte, cap. IV, FEB, 1991.
Xavier, Francisco Cândido (André Luiz): Entre a Terra e o Céu, cap. X e XI, FEB, 1991.
(Artigo publicado originalmente como Matéria de Capa na Revista Internacional de Espiritismo, Ano LXXVII, nº 5, Junho de 2002 e reproduzido com autorização do autor)



O sonho de Rafaela
 
Rafaela era uma camponesa muito pobre que vivia em uma rústica região italiana.
Ela tinha uma filha de nome Adda, a qual desencarnara com aproximadamente três anos de idade.
Decorridos seis meses do falecimento, a mãe não se conformava e se sentia injustiçada pelos céus.
Mas, certa noite, ela teve um sonho que reformulou sua percepção a respeito do ocorrido.
No sonho, ela fora convidada para uma festa que se realizaria em um local próximo do céu.
Muitas crianças compareceriam no evento para se divertir.
Quando ela chegou, ficou extasiada.
Tudo era muito belo e as crianças dançavam e cantavam, bastante alegres.
Todas as crianças tinham asas reluzentes e Rafaela as contemplava embevecida.
Entretanto, ficou muito surpresa ao notar sua própria filha sentada em um canto.
A menina estava triste e chorosa, com roupas e asas molhadas, pesadas e sem brilho.
A mãe indagou à filha o que aquilo significava, pois ela sempre fora muito alegre.
A pequena Adda disse que não poderia brincar com as outras crianças, mesmo se quisesse.
A pobre camponesa ainda argumentou que a filha tinha asas, era um anjo e deveria voar com alegria.
A menina esclareceu que não podia voar, pois estava toda molhada, com as asas pesadas e coladas no corpo.
A mãe se dispôs a ajudar, como fosse possível, pois queria que a filha fosse feliz e pudesse brincar.
Adda afirmou que a culpada de tudo era a própria Rafaela.
Com sua grande tristeza e suas blasfêmias contra Deus, a mãe a mantinha colada a si e a impedia de voar.
O excesso de mágoas de Rafaela aprisionava a pequena Adda e as lágrimas que vertia sem cessar molhavam suas asas.
Aterrada, a pobre camponesa compreendeu que estava prejudicando a filha, ao não acatar a Vontade Divina.
Prometeu que não mais choraria e nem reclamaria, pois queria que a menina fosse livre e feliz.
Ao acordar, tomou-se de grande felicidade pela certeza de ter visto e falado com sua filha.
Chamou as amigas e relatou o sonho.
Também tratou de relatá-lo a outra mãe que havia perdido um filho recentemente.
*   *   *
Essa bela história traduz uma realidade.
O amor e os vínculos não se extinguem apenas porque alguém desencarnou.
Os Espíritos desencarnados recebem os pensamentos e as vibrações dos que ficaram na Terra.
É preciso que esses cuidem de manter pensamentos e sentimentos equilibrados, a fim de não prejudicar quem se foi.
Quando retorna à pátria espiritual, o Espírito vive momentos delicados e precisa de paz e tranquilidade para se adaptar à nova situação.
A pretexto de muito amar, não é viável causar dor nos amores que nos precederam na viagem para o verdadeiro lar.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. III,  do livro
Ressurreição e vida
, pelo Espírito Léon Tolstoi, 
psicografado por Yvonne A. Pereira, ed. Feb.
Em 05.03.2009.




Morte infantil
A morte sempre dilacera corações.
Quando se trata de crianças em tenra idade, parece ainda pior.
À dor dos pais, une-se a dos amigos e conhecidos e ela vai crescendo como uma bola de neve.
Normalmente termina com gritos de revolta contra a Divindade e Sua sabedoria.
Ou então as criaturas clamam a Deus, crendo-se por Ele esquecidas.
Foi exatamente por esse quadro quase rotineiro que nos surpreendeu a história narrada por uma americana.
Casada, mãe de dois belos garotos, uma boa provisão de contas, problemas, amor e felicidade.
Mas Beth sentia que, no Mundo Espiritual, havia mais um menino esperando para nascer. Ela o sentia como dela. Apenas não o havia concebido.
Conseguir o garoto não foi fácil. Foram sete anos de médicos, orações, desapontamentos e dois abortos espontâneos.
Finalmente, nasceu o menino.
Ela não conseguia encontrar o nome que significasse presente direto de Deus, por isso o chamou Marcos.
Reconhecia o filho como algo muito especial.
E era mesmo. À medida que foi crescendo, foi mexendo com a família toda.
Como acontece muitas vezes com o filho temporão, ele reabriu os olhos e os corações de pais e irmãos para novos e ricos sentimentos de amor e de felicidade.
Os irmãos mais velhos logo assumiram o papel de jovens pais.
E do Camaradinha, como o chamavam, foram recebendo lições de paciência, compreensão, tolerância.
Sim, porque quando ele estava acordado conseguia manter a família toda, na maior parte do tempo, um pouco maluca.
Quando acordava, alguém dava o alarme: Alerta! Tufão à vista!
Subia no piano, no armário, na mesa. Era um Espírito tão cheio de vida que Beth acreditava que nunca o mundo o conseguiria domar. Ele parecia livre como uma brisa fresca.
Por vezes, ela se detinha a contemplá-lo.
Narizinho arrebitado, boca sorridente, vivos olhos azuis, cabelo louro. E pensava: Lembrarei sempre de você como é agora.
Mas, pouco antes de fazer cinco anos, Marcos adoeceu. Leucemia. Disseram que ele iria morrer.
Naquele dia do diagnóstico, o pai montou o carro que havia escondido para o Natal e deixou que o filho corresse alegremente com ele pelo jardim, antes de partir para o hospital.
Foram três semanas de injeções, dores, transfusões, pílulas. Voltaram para casa.
Começaram os intermináveis exames de sangue e as tentativas para manter o menino vivo. Sempre havia esperança...
Olhar para os olhos brilhantes e confiantes de uma criança amada, assistir a dor dos tratamentos, ver aquela criança morrer lentamente...era insuportável.
Mas Marcos morreu durante um ano inteiro.
O grande amor de toda a família não o protegeu contra coisa alguma.
Quando o corpo inchava, Beth lhe dava amor. Quando ficou cego, ela lhe contava histórias para aliviar-lhe a dor.
Quando foi acometido por hemorragia, atormentado por convulsões, ela lhe disse adeus.
Ele morreu. Ela lhe fechou os olhos.
Abraçada ao marido e aos outros dois garotos, falou:
De novo sabemos que há um menino no Mundo Espiritual que é parte de nós.
Deus nos permitiu conhecê-lo e vivê-lo.
A luz de Marcos brilhará pelo resto das nossas vidas. Muito obrigada, meu Deus!

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Uma pequena estatística (condensado de Câncer News).Em 11.02.2009.





Morte em tenra idade
O casal se consorciara e, desde os tempos do noivado, haviam estabelecido em seus planos, o número de filhos. É como se pudessem ver, através da tela mental, as crianças a correr e encher a casa que juntos idealizaram.
Esmeraram-se no jardim a fim de que, ao chegarem os pequenos, logo tivessem contato com a natureza, o perfume e as cores das flores miúdas.
Deixaram uma pequena área para que, em tempo oportuno, pudessem colocar aparelhos próprios para as crianças brincarem.
Olhando aquele espaço, de mãos dadas, já se imaginavam ensinando os pequenos subirem pela escada e descerem pelo escorregador, caindo no meio da areia.
Podiam quase se ver a segurá-los, enquanto tentavam escalar os degraus e engatinharem, através da casinha que seria um labirinto bem montado, a abrir portas e janelas, sorrindo felizes.
A gravidez não tardou e tudo se passou num clima de ansiedade e sonhos. O dia em que puderam ouvir pela primeira vez o coraçãozinho do filho a bater, foi-lhes de pura emoção.
Cada mês era uma descoberta. Filmaram as diversas ecografias para que, um dia, pudessem mostrar ao pequeno como ele começara a sua vida na Terra, no carinho e aconchego do ventre materno.
Prepararam berço, quarto, rendas e roupinhas. Tudo traduzia o imenso amor que dedicavam ao pequeno. O nascimento foi uma festa, os primeiros dias uma descoberta contínua, os meses que se seguiram de aprendizado para os pais, tentando traduzir o choro infantil, os primeiros balbucios, o código especial daquele palavreado todo especial.
Os primeiros passos foram filmados e, a cada toque das mãozinhas tenras, era uma emoção diferente. Nos corações dos pais, a gratidão brotava espontânea e, todas as noites, agradeciam a Deus pela dádiva preciosa que lhes havia mandado.
Orando ao pé do berço, em rogativa singela a Jesus pelo pequeno que dormia, sentiam-se sempre mais felizes.
Então, um dia, aconteceu a tragédia. Uma febre inexplicável tomou conta do garoto que, até a pouco, brincava feliz na caixa de areia, em plena tarde de verão.
Ele adentrara a cozinha, queixando-se de dor de cabeça. A mãe o acarinhou, sentiu-lhe a temperatura anormal e chamou o marido. Logo vieram os exames, o internamento. Em poucas horas, a morte cruel.
O casal sentiu os corações estraçalhados. Como era possível que uma criança tão cheia de vida, pudesse morrer em poucas horas? E nos dias de hoje, com tantos recursos? Nada lhe faltara.
O pai desesperou-se, agarrou-se ao corpinho ainda quente e começou a gritar: Volte, volte. Não vá embora. Não nos deixe.
Então, a mãe, vencendo a dor que lhe esmagava o coração, qual uma mão de ferro, aproximou-se do marido, abraçou-o ternamente e lhe falou ao ouvido:
Amado, deixa-o partir. Ele veio e somente nos deu alegrias. Cumpriu o seu tempo. Deixa-o retornar em paz ao mundo de onde veio. Não o retenhas...
*   *   *
A morte em tenra idade é, dentre os tipos de morte, possivelmente, a que mais indagações provoca nos corações aflitos.
Contudo, elas ocorrem porque há Espíritos que vêm à Terra e tomam as vestes humanas, na qualidade de filhos, para fazerem felizes aos que amam.
Deixam a sua mensagem de alegria e de paz e retornam ao mundo espiritual, desde que a tarefa foi cumprida.
Outros Espíritos necessitam de algum tempo apenas, como complementação de vidas anteriores, não vividas em plenitude.
É sempre provação para os pais que sofrem a dor da separação. Mas, uma certeza deve permanecer: a morte não existe e, os que se amam, prosseguem a se amar na Espiritualidade.
Um dia, haveremos todos de nos reencontrar no mundo espiritual ou em vidas futuras, em algum lugar...

Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 17, ed. Fep. Em 01.11.2010.


  

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